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sábado, 1 de dezembro de 2012

Poesia: "Saudade"



 

Saudade é olhar para o vazio
 

E provar a dor do abandono

No cálice da amargura.

Dor constante, pensamento vago!

Basta uma música, um sonho,uma palavra

E chega a saudade.

Ela é triste como os pássaros privados de voar,

Como os homens inertes, como a nostalgia da chuva.

Saudade é o modo de sentir medo, é dor profunda.

É o gosto do desejo.

Força incontrolável de chorar, pesadelo real do espírito,

Exercício da memória desfigurada.

Tente fugir,tentemos fugir...

Mas é impossível, ela é implacável,

Temível, insana...

Sentimento carrasco e destemido como a fúria dos raios;

Próprio de quem ganha e perde o direito de amar...

Livro: " A Vida é Bela - Para Quem?"


 

Depois do sucesso de seu primeiro livro de poesias “Conflito Interior”, João Ribeiro Neto publicou no ano de 2002 seu segundo livro: A Vida é Bela – Para Quem?”, prefaciado pelo notável escritor,cantor tradicionalista e também poeta , o gaúcho Claudino De Lucca (foto à direita),com o qual tem contato até hoje, mesmo Claudino residindo em Santo Ângelo/RS. No prefácio, o notável artista Claudino De Lucca fez o seguinte comentário:

(...) "É um livro bem mais leve e solto que o primeiro. Sem as dificuldades para o leitor
de tentar analisar a poesia ou alegar não entender de versos.

Suas crônicas, seus relatos, seus comentários pessoais, às vezes irônicos, às vezes críticos, às vezes hilariantes, são de leitura amena, gostosa e divertida.

Comparações à parte, lembram às vezes o macaco Simão, da Folha de São Paulo, ora o incomparável Luiz Fernando, ora Carlos Heitor Cony. Praticamente todos esses textos já foram publicados isoladamente nos jornais, mas vê-los agora reunidos em um livro é a possibilidade de degustá-los em qualquer momento, juntos ou em separado”. (Claudino De Lucca/2002)



 

Conheça o Autor




 
Por pertencer à tradicional família “RIBEIRO”, o escritor João Ribeiro tem como traços marcantes em sua origem dois estados brasileiros: “São Paulo” e, também, o “Rio Grande do Sul”.

 
            
 O expoente maior de sua família em São Paulo está concentrado na saudosa pedagoga Carolina Ribeiro,mulher que entrou para a História por ter sido a primeira secretária da educação do Estado de São Paulo, no governo Jânio Quadros.




Aliás, na residência onde vive hoje  eram realizadas as convenções e reuniões de apoio do falecido Jânio da Silva Quadros e, ainda, possui o antigo relógio de parede, o cuco“, onde seu finado avô João Amancio Ribeiro Filho fazia questão de pendurar no pêndulo a miniatura em metal de uma “vassourinha”,tradicional símbolo das campanhas políticas de Jânio.

 

Origem Sulista do Autor

 

Já sua origem sulista, explica-se pelo fato de ter como tronco de sua família o Marechal Bento Manuel Ribeiro (foto) (1761-1855), uma das figuras ilustres do Rio Grande Sul por ter participado em todas as guerras do sul,desde 1801 até 1851. Nas campanhas de 1817 a 1820 alcançou as vitorias de Belém, Galera de Braquin, Perucho-Berna, Arroio Grande.

Esse foi o período brilhante de sua vida de soldado, quando seguia os preceitos de disciplina ensinados e mantidos pelo ilustre general Curado- Coleção Efemérides Brasileiras-1891-Barão do Rio Branco (…)

Essas notícias foram publicadas no jornal “O Estado de São Paulo”

Mais um traço da origem gaucha do autor encontra-se no fato de seu pai ter sido o fundador do PDT (Partido Democrático Trabalhista) liderado por Leonel de Moura Brizola em São Paulo na década de 80. Por sinal, João Ribeiro Neto participou ativamente da campanha presidencial de 1989 de São Paulo ao Rio Grande quando ainda era guri.

Dessa época, guarda em sua estante um busto do saudoso “GOVERNADOR”, como era conhecido Brizola por ter governado dois estados distintos:Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
 

Incentivo da Família

 

João Ribeiro foi sempre incentivado por seu falecido pai, Frederico Ribeiro, a orgulhar-se da nobre origem de sua família e a escrever poemas e crônicas desde tenra idade, o que despertava a atenção de seus professores e colegas.

Formado em jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, começou a reunir algumas poesias antigas de sua autoria e,no ano seguinte, após iniciar o curso de direito no Centro Universitário IMES de São Caetano do Sul/SP publicou seu primeiro livro,“ Conflito Interior ”.

A partir dessa publicação, João Ribeiro Neto passou a ser reconhecido como um dos mais promissores intelectuais , sendo destaque na imprensa paulista, gaúcha e catarinense graças ao expressivo número de leitores que conquistou nesses estados. Seus livros revelam a personalidade forte e polêmica das quais é dotado; nunca se prestou ao papel de escrever para agradar esse ou aquele. Ao contrário, já respondeu a alguns processos na justiça devido ao seu jeito franco e destemido de encarar a vida e a sociedade com seus hipócritas padrões de comportamento.

Essa passagem tirada do livro Conflito Interior revela a coragem e ousadia do escritor:

Essa pequena obra tem como objetivo enaltecer a arte e, de alguma forma, colaborar com um processo de resgate cultural em nosso país. Um país sem identidade,empobrecido em valores e subjugado à ignorância proliferada por uma indústria cultural torpe e mal intencionada. Golpeio poucos dos muitos grilhões que prendem a sociedade nos escuros subúrbios da anticultura.”

Poeta por si próprio (crônica)


 
         Sempre quando as pessoas descobrem que sou poeta noto um ar estranho em suas faces. Parece que o espanto domina seus lábios e a palavra poeta sai soletrada: po-e-ta.

            Não compreendo o porquê de tanta admiração ou espanto causado só porque se está diante de alguém que gosta de escrever versos em nosso rotineiro cotidiano.

            Talvez porque o poeta, mesmo não tendo um valor profissional ou econômico na sociedade alienada, ocupa o lugar no imaginário das pessoas por ser um alguém que tem ousadia para sonhar.

            Como é difícil sonhar estando no meio da neurose social onde os problemas financeiros nos ferem, aprisionam e até matam! O mundo é caótico, confuso, mas a poesia não; ela é sublime, tenra...

            Porém na mente do poeta coexistem o caos da realidade imperfeita com a perfeição do ideal. Daí surge a poesia!

            Enquanto poeta, sempre sonhei amar e ser amado mais do que na vida real. Numa manhã de sol desponta o verso infantil ao imaginar a doce amada, no crepúsculo a realidade começa a bater na aorta através do verso sutil e, à noite, uma dor de perda assombra o pobre poeta!

Poetar! Transformar dores em esperanças, viver paixões imortais que por sua vez morrem sem mais nem menos diversas vezes. Que paradoxo!

            Trocas de confidências e olhares voltados à própria alma, declarações banais de felicidade, gritos de lamúria... “Ais” de padecer inexistente...

            Ser poeta!  Sorrir quando se quer chorar; sonhar

quando o que se deve fazer é viver; transformar dores em versos quando se deve fazer exatamente isso. Transformar dores em versos!

            E naquela calçada caminha agora um poeta, leva um semblante grave, deve estar pensando em como é difícil vender seus livros, se é que já os escreveu um dia!

            Olha outro poeta ali! Esse vai sorrindo ao atravessar a rua, talvez vá encontrar a sua amada.

            Ah, na praça tem mais um poeta declamando versos doloridos, mas cada estrofe é um convite para refletir sobre a vida.

            É bom que existam poetas pelo mundo afora, mas como é difícil ser um! A sociedade é leviana, mas ainda assim vale a pena!

Fernando Pessoa, o maior dos poetas, há muito já nos disse: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.


* Crônica que integra o livro "Existe vida após o casamento?"

A Gramática do Amor (crônica)



                                        “A gramática do amor”

            Hoje estou meio romântico! Já reli alguns versos de Federico Garcia Lorca e fiquei com vontade de mesclar esse livro de crônicas com um pouco de poesia, ainda que me seja atribuído o adjetivo de piegas ou algo assim. Afinal, o amor mais belo ainda é o ideal, o “belo platônico”, que não perde seu brilho com as rusgas da dura convivência a dois.

Dedico essas doces páginas a esse tipo de amor tão puro a uma faceira”espanholita” de olhos claros que já tive em meus braços.

 

            Eu queria expressar com os lábios os reais sentimentos escondidos n’alma, mas minhas palavras foram podadas do dicionário e as frases não foram concluidas . Os verbos transitivos ficaram sem objetos diretos e indiretos e o sujeito das orações (Eu) ficou sem seu núcleo (Você), pois esse sujeito é composto.

            Composto por seu carinho, sua admiração, afeto... E outra vez as palavras me falham e o único adjetivo que ora mereço é “Tolo”, pelas reticências colocadas.

            Mas o que eu queria era somente mostrar a você meu desejo de que o texto de nossas vidas nunca terminasse. Bom seria que nossos parágrafos fossem preenchidos por tênues consoantes e vogais acentuadas. Acentuadas por um sentimento eterno, cujo nome é amor!

            Amor, substantivo simples, uma palavra dissílaba que quase sempre rima com outro substantivo: Dor. Uma dor monossilábica!

            Na poesia dedicada a você, amor rima com outro substantivo próprio: com seu nome. Embora uma flor adjetivada por singela soaria melhor com seu nome; os sufixos criaram uma rica rima.

            Rima rica ou rica rima; e agora escrevi uma aliteração: RI-RI; e do meu sentimento você ri, mas não me importo porque assim vejo seu sorriso. O seu coração é uma aliteração do meu, pena que ainda não saiba!

            Quero fazer uma análise sintática de seus lábios: prefixo acentuado “Lá” e os meus beijos imaginários estão também “Lá”, advérbio de lugar, enquanto ouço a melodia romântica onde predomina o som do “Lá”, substantivo masculino, nota musical.

            Vislumbro seu rosto entre a paisagem de Ibiúna, detrás da duna. Que quadro lindo!

            Se eu amasse; se você amasse; se nós nos amássemos... Isso é viver um futuro condicional, modo subjuntivo. Prefiro o presente do indicativo, ele indica nosso amor: Eu amo; você ama; nós nos amamos!

            Quantas linhas já escrevi tentando melhor me expressar poeticamente em forma de crônica, continuar seria hipérbole, exagero! Fica difícil concluir, pôr o ponto final nesse texto dissertativo.

            Não, esse texto não é poesia, ele tampouco é poético, hoje descobri o que é poesia segundo versos do escritor Gustavo Adolfo Becquer:

Que es poesia? Y tu me lo preguntas?

Poesia eres tu!
 
 
* crônica que integra o livro "Existe vida após o casamento?"

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Participações na TV




O poeta João Ribeiro Neto tem participado, ao longo de sua carreira, de vários programas culturais de televisão em emissoras da Grande São Paulo e do interior.
 

Merecem destaque os polêmicos debates realizados na TV SÃO Caetano ( Canal 45 –UHF ) e suas veementes entrevistas na “Eco TV”,transmitido pela TVA . Com estilo irreverente e seu tradicional humor sagaz, o escritor sempre defende a criação de leis de incentivo à cultura e patrocínios a jovens artistas e não poupa o descaso dos políticos e das grandes redes de comunicação com a arte e a cultura.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Poesias do Livro "Conflito Interior"

                           
                               
 
                                                                   A Poesia e a Vida




Ilhado na solidão do mundo procuro o sol,

Mas o são teus olhos que brilham mais.

Com o doce brilhar de uma estrela à noite

Ganha vida teu rosto ao luar que é triste




Na madrugada de pranto e desatino

Surge o coração que de sua paixão faz o destino.

Caem a chuva e a névoa,o desprezo e a dor

Vêm à tona o ódio e o amor.




Fiz do meu viver um mergulho no infinito,

Um adormecer constante e um sofrer incessante.

Aguardo mais um dia clarear

E no teatro da felicidade representar.




As palavras formam frases decentes

Com a mesma monotonia das águas dormentes,

Batendo nas pedras da encosta sem canseira

Dizendo verdades e suspiros passageiros.
 
 
Conflito Interior


Nos páramos distantes da nua loucura
Divaga meu “EU”errante e sua candura,
Confunde o poeta numa volúpia crescente
Atropela meu sentimento incandescente.


E na guerra dos “EUS”
Encontro-me no ideal platônico,
Defronto-me com Zeus
Perco-me num real lacônico.


Mas nem isso detém dos a fúria;
Um contempla a arte,o outro dela faz parte,
E em ambos contém uma triste lamúria.




O primeiro fica só, na sombra merencoria
Enquanto o segundo prova o fruto da vitoria.
Que dor na razão causa-me essa divisão.